Fonte do Sapateiro (3) para ver como fica com mais texto inserido no titulo

Há muitos anos, um certo sapateiro, que vivia nos Ginetes, teve que ir à cidade para resolver assuntos da sua vida, talvez comprar couro ou pagar alguma contribuição. Quando ia a sair de casa, a mulher, que sofria de doença dos intestinos, pediu-lhe que lhe trouxesse um medicamento recomendado pela vizinha, pessoa de muita sabedoria. 

 Lá foi o sapateiro, calcorreando os difíceis caminhos até à cidade, onde já chegou muito cansado. Entrou em diversas lojas, falou com conhecidos das freguesias vizinhas, soube algumas novas e finalmente pôs-se a caminho de casa. 

 Andou alguns quilómetros, descansou de longe a longe e durante todo este tempo veio pensando na vida, no trabalho. 

 De repente, quando já estava perto de casa, veio-lhe à lembrança o remédio que a mulher lhe tinha pedido com tanto empenho. Ficou desorientado. Voltar outra vez à cidade parecia-lhe impossível, pois estava estafado da grande viagem que tinha feito a pé. Mas chegar a casa sem o remédio para a mulher, ainda se lhe afigurou mais difícil. 

 Quando estava nesta indecisão, passou por uma fonte, escondida entre abundante vegetação e uma ideia veio-lhe de repente. Encheu o garrafo na água que corria límpida da fonte e seguiu para casa, entre o aliviado e o preocupado. 

 Ao chegar, e depois da habitual pergunta “Como te foi lá na cidade?”, o sapateiro entregou o garrafo com o suposto remédio. 

 Nos dias seguintes o garrafo foi-se esvaziando aos poucos porque a mulher cheia de confiança tomava as doses tal como a vizinha lhe tinha dito. 

 Pouco a pouco a mulher do sapateiro começou a sentir-se melhor e o marido, vendo-a saudável e feliz, ganhou coragem e contou-lhe a história do remédio. 

 Depressa a notícia de que a água daquela fonte era medicinal espalhou-se pela freguesia e muitos passaram a bebê-la, acreditando que ficariam curados dos males que os afligiam. 

 Lembrando este acontecimento, passaram a chamar àquela. nascente de água “Fonte do Sapateiro”. Actualmente, embora não seja tão procurada como nesses tempos, ainda há quem acredite no seu poder curativo e a fonte continua a matar a sede a quem passa naquele lugar isolado no meio da verdura e serve de bebedouro para as vacas.